02/08/2019, sexta-feira
Foto: Divulgação
De site Diário, Indústria e Comércio
De site Diário, Indústria e Comércio
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou
três colombianos e oito brasileiros integrantes de organização criminosa
relacionada ao tráfico internacional de drogas, desarticulada pela Operação
Arcanjo. O grupo era especializado no transporte de grandes quantidades de
cocaína produzida na região da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia
para Manaus (AM).
A apuração do caso foi iniciada pela Polícia
Federal a partir do recebimento de informações sobre responsáveis por um
carregamento de drogas trazido para Manaus e que estavam hospedados em um hotel
no centro da capital, de propriedade do colombiano Roberto Marulanda Hernandez,
apontado como líder da organização.
Com o avanço das investigações,
interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial revelaram as
ações criminosas e o modus operandi do grupo, além da identidade e das funções
dos integrantes. Levantamento de dados sobre o patrimônio utilizado indicou a
lavagem de dinheiro para acobertar os ganhos da organização e uma grande
capacidade de interação com outros grupos organizados no Brasil e também em
países como Peru e Colômbia.
Pelo menos entre maio de 2017 e o fim de 2018
foram constatadas atividades do grupo criminoso. Os papéis desenvolvidos pelos
integrantes da organização eram flexíveis, com mudança das atribuições de
alguns membros e manobras rápidas e articuladas para manter a operação
criminosa em pleno curso, revelando a maturidade organizacional do grupo.
O uso de tecnologias para blindar ou diminuir
a investigação foi constatado ao longo do período de apuração, assim como a
adoção de linguagem cifrada e códigos nos diálogos, intensa troca de aparelhos
de celular, de IMEIs (código numérico único e global que identifica celulares
internacionalmente), de chips e até dos CPF cadastrados como titulares das
linhas telefônicas utilizados pela organização criminosa.
Acusados – Roberto
Marulanda Hernandez, Ronaldo Chacon Rubiano, José Raimundo de Paula Lima,
Lindomar Gonçalves de Souza, Valzilene da Silva Melo, Ariane Lopes de Oliveira,
Diego Roberto Marulanda Giraldo, Cleyciane Cordeiro de Oliveira, Orison Paima,
Graziela Nascimento Salvino e Leudenir de Figueiredo Gomes foram denunciados
por associação criminosa para o tráfico de drogas, crime previsto nos artigos
35 e 40, I, da Lei nº 11.343/06, com pena de três a dez anos de prisão,
aumentada de um sexto a dois terços.
Foram denunciados também por lavagem de
dinheiro Roberto Marulanda Hernandez, Valzilene da Silva Melo, Diego Roberto
Marulanda Giraldo, Cleyciane Cordeiro de Oliveira e Orison Paima. O crime
consta na Lei nº 9.613/98 e tem pena prevista de três a dez anos de prisão, com
aumento de um a dois terços, para cada situação de lavagem. As investigações
apontam que os acusados, individualmente, cometeram o crime de duas a dez
vezes.
O líder da organização, Roberto Marulanda
Hernandez, e Orison Paima foram ainda denunciados por falsificação de documento
público, uso de documento falso e falsa identidade, crimes previstos nos
artigos 297, 304 e 307 do Código Penal.
O MPF pediu ainda a condenação de Valzilene
da Silva Melo, Ariane Lopes de Oliveira e Diego Roberto Marulanda Giraldo pelo
crime de tráfico internacional de drogas, pelo qual o líder do grupo e outros
integrantes já foram denunciados em outra ação penal.
A ação tramita na 2ª Vara Federal no
Amazonas, sob o número 14658-71.2017.4.01.3200.
Operação Arcanjo – Em maio deste
ano, a Polícia Federal deflagrou a Operação Arcanjo para desarticular a
organização criminosa, com o cumprimento de mandados de prisão preventiva,
prisão temporária, busca e apreensão e bloqueio de diversos bens adquiridos com
recursos obtidos a partir do tráfico internacional de drogas.
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