Fotos: Carlos
Gossel
28/02/2020, sexta-feira
Tabatinga (AM) - Dia 26 de
fevereiro de 1991 aconteceu a tragédia do Traíra aonde resultou com a morte de
três militares e mais nove militares feridos.
Os três militares
mortos foram Sansão Ramos Gonçalves, Aldemir Lopes Oliveira e Sidimar Fonseca
Moraes homenageados em monumento que fica junto ao quartel do Comando de
Fronteira Solimões – CFSOL/8ºBIS.
Todos os anos o Comando de Fronteira Solimões/8º Batalhão de Infantaria de Selva faz uma cerimônia para homenagear aos infantes tombados, e convida seus familiares e a comunidade em geral para participar do evento.
O que é
"Traíra"
Traíra é uma base
do Exército Brasileiro localizado à margem do Rio Traíra, no Estado do
Amazonas, foi atacada por cerca de 40 guerrilheiros por volta das 12h de forma
surpresa, matando três soldados brasileiros e deixando nove feridos.
Como foi
12:00 horas de
uma terça-feira, dia 26 de fevereiro de 1991. Cerca de 40 elementos que se
declararam guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias Comunistas (FARC) -
Comando Simón Bolívar -Facção Força e Paz, realizam uma incursão em território
nacional e atacam um Destacamento do Exército Brasileiro estacionado em
instalações semi-permanentes, às margens do rio Traíra, fronteira entre o
Brasil e a Colômbia.
O ataque foi
efetuado por três escalões, dos quais um, o de apoio de fogo, permaneceu na
margem colombiana, enquanto os outros dois, de assalto e de segurança,
investiram o acampamento. Inicialmente, com preciso fogo de atiradores de
escol, foram eliminados os sentinelas da hora, e a seguir, desencadeado intenso
fogo de armas automáticas contra as instalações do Destacamento, cujos
integrantes, surpreendidos, tentaram, sem sucesso, reagir.
Em decorrência da
ação, da guarnição de 17 homens, resultaram três soldados mortos e nove
feridos. Morreram também dois garimpeiros clandestinos colombianos que estavam
detidos no posto aguardando evacuação para Vila Bittencourt/AM.
Na finalização da
operação, os guerrilheiros colombianos apropriaram-se de estações rádio,
munição, uniformes e todo o armamento do posto, conduzindo todo o material para
o seu território. Aparentemente, não sofreram baixas. Portavam armamento
automático HK 5.56 mm e armas de caça calibre 12. Trajavam uniformes de cor
verde claro e botas de borracha do tipo "sete léguas". Faziam parte
do comando atacante duas mulheres identificadas como já tendo sido
anteriormente presas no Destacamento.
A instalação do
Destacamento Traíra foi uma decisão do Comando Militar da Amazônia, autorizada
pelo Sr Ministro do Exército, Comandante da Força Terrestre, para fazer face à
tumultuada situação reinante na região da Serra do Traíra/AM, provocada pela
presença de grande número de garimpeiros clandestinos brasileiros e,
principalmente, colombianos, que para lá se deslocaram após a desativação das
instalações da Empresa de Mineração Paranapanema, que detinha o alvará de
pesquisa aurífera cedido pelo Governo Federal.
Em posteriores
operações de inteligência ficou comprovado que a guerrilha colombiana aliada a
cocaineiros e garimpeiros clandestinos colombianos, e também contando com o
beneplácito de alguns índios corrompidos pela narcoguerrilha na região,
procuravam as regiões auríferas nos antigos garimpos abandonados da Cia
Paranapanema, a fim de obter recursos para suas ações subversivas. Dessa forma,
a ação da guerrilha colombiana foi efetuada como uma represália à ação
repressiva desencadeada pelo Destacamento Traíra.
Há que se
ressaltar que a atuação do Destacamento Traíra, instalado sob a
responsabilidade do então 1º Comando de FronteiraSolimões/1º Batalhão Especial
de Fronteira (1º Cmdo Fron-Solimões/1º BEF), sediado em Tabatinga/AM, se
limitava a uma ação específica de manutenção da ordem, visando tão somente
expulsar garimpeiros colombianos de volta ao seu território, e impedir a vinda
de garimpeiros brasileiros para a área, até que o Governo Federal regularizasse
a situação da lavra no local, provocada pelo abandono da Empresa Parana panema.
O ataque das FARC
contra o Destacamento Traíra foi uma ação inesperada, covarde, traiçoeira e
inusitada, em virtude da missão que o Destacamento cumpria, e de nunca se ter
tido notícia de fatos dessa natureza, desde a instalação, na Amazônia, dos
primeiros Pelotões de Fronteira do Brasil.
A ação de 26 de
Fevereiro de 1991 das FARC no rio Traíra desencadeou o planejamento e a
execução de uma operação conjunta efetuada pelas Forças Armadas Brasileiras e
Colombianas, denominada "Operação Traíra". Esta Operação foi a
principal conseqüência da Reunião Extraordinária Regional Bilateral
Brasil/Colômbia, com a participação, pelas forças colombianas, de autoridades
do Comando da IV División del Ejército Nacional de Colombia, sediado em Vila
Vicenzio/Col e, pelas forças brasileiras, de autoridades do Comando Militar da
Amazônia, sediado em Manaus/AM.
Depois disso as
forças armadas especialmente o Exército, potencializou sua força na Amazônia
fazendo com que se criassem bases em áreas de fronteira com o Brasil na região
Norte denominadas de pelotões assim como: Palmeiras do Javari, Vila
Bittencourt, Ipiranga, Estirão do Equador e Traíra.
Com informações
do Site Defesanet
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