14/04/2026, terça-feira
O Ministério da Saúde anunciou que distribuirá o medicamento tafenoquina, usado no tratamento da malária, em versão pediátrica de 50 miligramas no Sistema Único de Saúde (SUS). A nova dosagem é indicada a crianças com peso entre 10 kg e 35 kg. Até então, o remédio era ofertado somente a indivíduos com mais de 16 anos. O Brasil é o primeiro País a tomar essa iniciativa.
Esses territórios, segundo a pasta, concentram cerca de 50% dos casos de malária em crianças e jovens de até 15 anos. A entrega do medicamento começou na segunda-feira, 2, e ocorre de forma gradual. O primeiro distrito contemplado será o DSEI Yanomami, com 14.550 comprimidos. O investimento é de R$ 970 mil.
Em comunicado à imprensa, a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Batista Galvão Simão, destaca a importância do projeto. “À medida que ampliamos a cobertura do tratamento com rapidez e eficiência, reduzimos também o risco de transmissão da malária nas comunidades.”
“Se conseguirmos alcançar uma cobertura elevada, é possível reduzir em até 20 mil casos da doença. Se não há um medicamento como a tafenoquina para crianças e não há um teste rápido que facilite o diagnóstico precoce, ficamos sem ferramentas eficazes para enfrentar o problema. Por isso, levar essas tecnologias para as áreas mais afetadas pela malária, onde elas podem gerar maior impacto, é uma obrigação nossa”, acrescenta.
A versão pediátrica do medicamento será administrada em dose única. Segundo a pasta, a formulação contribui para a eliminação completa do parasita e para a prevenção de recaídas, o que ajuda a interromper a transmissão da doença.
O medicamento também permite ajustar a dose de acordo com o peso da criança, o que aumenta a eficácia do tratamento, conforme o MS. Para garantir a segurança e implementação efetiva da tafenoquina pediátrica, a pasta realiza oficinas de treinamento. Nessa primeira etapa, 250 profissionais dos DSEI prioritários serão habilitados.
O anúncio foi feito no início de março/2026.
O que é a malária?
De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a malária é uma doença infecciosa febril aguda, causada por três protozoários do gênero Plasmodium: P. falciparum, P. vivax e P. malariae.
A transmissão ocorre por meio da picada da fêmea do mosquito do gênero Anopheles (também conhecido como “mosquito prego”) infectada por uma ou mais espécies do Plasmodium.
A doença é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema de saúde global.
Quais são os sintomas?
Depois da picada, o parasita pode permanecer incubado no corpo por pelo menos uma semana antes do início dos sintomas.
De forma geral, o quadro inicial inclui febre alta, calafrios, sudorese intensa, dor de cabeça, dores musculares e, em alguns casos, taquicardia, aumento do baço e até episódios de delírio.
Malária na Amazônia
No Brasil, a grande maioria dos casos ocorre na região na região Amazônica, sobretudo em áreas de difícil acesso e em territórios indígenas. Fatores geográficos e sociais ampliam a vulnerabilidade à doença.
O Ministério afirma que tem ampliado o monitoramento e reforçado as ações de controle do vetor. Entre as estratégias adotadas estão a busca ativa de casos, a distribuição de testes rápidos e outras medidas voltadas ao diagnóstico e ao tratamento na região.
Entre 2023 e 2025, apenas no território Yanomami, houve aumento de 103,7% na realização de testes e crescimento de 116,6% no número de diagnósticos. No mesmo período, os óbitos por malária caíram 70%.
Apesar do aumento na detecção, o número de casos tem diminuído no país. Em 2025, o Brasil registrou o menor total desde 1979, com queda de 15% em relação a 2024. Nas áreas indígenas, a redução foi de 16%. Os casos ligados ao Plasmodium falciparum, protozoário responsável pela forma mais grave da doença, também caíram 30% na comparação com o ano anterior.
Fonte: Isto É Dinheiro
