14/04/2026, terça-feira
MANAUS – A Âmbar Energia não pretende retomar a instalação em Manaus dos medidores aéreos, conhecidos como SMC (Sistema de Medição Centralizada), modelo que gerou críticas entre consumidores e é questionado na Justiça. O anúncio foi feito ao ATUAL por João Pilla, presidente da empresa que assumiu as operações da Amazonas Energia no estado, nesta terça-feira (14).
A transferência de controle da Amazonas Distribuidora foi aprovada pela Justiça e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e concluída no dia 10 deste mês, data que a Âmbar começou a operar a distribuição de energia no Amazonas.
“Nós não vamos trabalhar com esses medidores aéreos, chamados de SMC, que na época foram colocados”, afirmou João Pilla. Segundo ele, o modelo não está entre as prioridades da nova gestão, principalmente pelo impacto financeiro. “A gente não pretende trabalhar com isso, porque isso é um custo muito alto para a distribuidora”, completou.
Os medidores aéreos, que começaram a ser implantados em 2024, foram alvo de críticas de consumidores que questionavam a transparência na medição do consumo e possíveis impactos nas cobranças, além de ações judiciais envolvendo o uso da tecnologia.
João Pilla disse que a Âmbar estuda alternativas mais modernas para o sistema de medição, alinhadas a estratégias de redução de perdas e melhoria do serviço. “Nós estamos estudando outras tecnologias implantadas em outras distribuidoras, que a gente acredita que trazem um benefício para a distribuidora, para a população, e diminuem essa prática do furto”, acrescentou.
A avaliação da empresa é que novas soluções podem contribuir tanto para maior eficiência na medição quanto para o enfrentamento de um dos principais problemas do setor no estado: o furto de energia.
Rede defasada e desafios estruturais
Ao detalhar o cenário encontrado pela empresa, João Pilla citou problemas estruturais na rede elétrica tanto na capital quanto no interior. Segundo ele, há necessidade urgente de modernização diante de um sistema considerado fragilizado. “A gente constatou uma rede defasada, uma rede sobrecarregada, uma rede que precisa de cuidado, de uma manutenção mais contínua”, disse.
Segundo ele, a condição atual da rede impacta diretamente a qualidade do fornecimento de energia, tornando o sistema mais suscetível a falhas e interrupções. “Transformar essa rede vulnerável numa rede mais confiável, mais consistente e mais segura é o nosso objetivo”, afirmou.
A proposta da empresa é investir em tecnologia para aumentar a capacidade de resposta a falhas, com equipamentos que permitam identificar problemas com mais rapidez e reduzir o tempo de interrupção para os consumidores.
Outro gargalo é o furto de energia, considerado um dos principais entraves para a melhoria do sistema. Segundo ele, o problema afeta não apenas a qualidade do fornecimento, mas também a capacidade de investimento da concessionária.
“O desvio de energia causa falha na rede, causa sobrecarga, compromete a entrega de energia de qualidade e aumenta a conta daqueles consumidores regulares”, afirmou. Além dos impactos técnicos, João Pilla menciona o efeito direto nas finanças da empresa e, consequentemente, na expansão do serviço. “O desvio de energia tira a capacidade de investimento da distribuidora”.
Como estratégia, a empresa pretende combinar ações de conscientização com investimentos e reforço da rede. “Nós temos que enfrentar de frente esse problema, com comunicação clara e com uma rede menos vulnerável”, afirmou.
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Fonte: Amazonas Atual
