Segundo o Cigs, Guardião é o macho mais velho vivo sob cuidados humanos no país.
Foto: Fernando Soares
10/12/2025, quarta-feira
Guardião, uma onça-pintada que vive no Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), em Manaus, ultrapassou os 20 anos de vida e se tornou um dos felinos mais velhos em cativeiro no Brasil. Nascido em 2001, em Tabatinga, no interior do Amazonas, o animal chegou ao Cigs em 2007 e se transformou em um símbolo de resistência, força e adaptação dentro da instituição militar.
Segundo o Cigs, Guardião é o macho mais velho vivo sob cuidados humanos no país. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) pondera que a informação não pode ser confirmada oficialmente porque o zoológico não integra o Programa de Conservação ex situ. Ainda assim, o órgão reconhece que Guardião está entre os mais longevos do Brasil, ao lado da fêmea Luna, de Limeira (SP).
A discussão sobre a idade dos felinos ganhou destaque após a morte de Sansão, onça-pintada do Instituto Nex, em Goiás, que morreu em junho aos 25 anos.
Longevidade rara e saúde estável
Apesar da idade avançada, Guardião segue ativo e com boa saúde. Ele vive em um recinto com vegetação alta, áreas de sombra e um lago onde nada diariamente. De acordo com a tenente-bióloga Eliane Carvalho, responsável pelo manejo, ele ainda demonstra vigor:
"O score do Guardião está muito bom para a idade dele. Se jogarmos um pedaço de carne, ele vem atrás", afirma.
Por ser um animal idoso, a equipe evita o uso de sedativos e realiza avaliações à distância. O manejo inclui trilhas de cheiro com canela, mudanças no local da alimentação e estímulos ambientais para manter o felino fisicamente ativo e cognitivamente engajado.
Guardião toma sol todos os dias, faz até quatro refeições e utiliza regularmente as trilhas de seu recinto. Ele vive sozinho desde 2020, quando o companheiro com quem dividia o espaço morreu. A bióloga conta que havia expectativa de que Guardião também enfraquecesse após a perda, mas o felino surpreendeu:
"Achávamos que ele fosse morrer em seguida, mas ele segue até hoje."
Guardião nunca viveu com uma fêmea e, por isso, não deixou descendentes.
Por que Guardião vive tanto?
Na natureza, onças-pintadas raramente ultrapassam 15 anos. As causas são inúmeras: disputas territoriais, perdas dentárias, longos períodos sem alimento e dificuldade de caça com o envelhecimento.
Em cativeiro, no entanto, a expectativa é muito maior graças ao monitoramento contínuo, alimentação regular e cuidados veterinários. A tenente Eliane explica:
"No zoológico, devido ao tratamento e à inspeção periódica, elas duram mais. A onça-pintada mais velha registrada no Brasil chegou aos 30 anos em cativeiro."
Guardião já superou com folga a expectativa natural e continua sob acompanhamento diário da equipe.
Luna: outra onça longeva no Brasil
Guardião divide a lista dos mais longevos com Luna, uma onça-pintada que vive no Zoológico de Limeira, em São Paulo. Resgatada em 2002 após denúncia de tráfico internacional, ela tinha cerca de dois anos quando chegou ao local. Hoje, aos 25 anos, é considerada a fêmea da espécie mais velha no Brasil.
Luna vive ao lado de seu filho, Negão, que completou 18 anos em 2025.
As onças do Cigs
O Zoológico do Cigs abriga 14 onças-pintadas, número que inclui animais resgatados de tráfico, de cativeiro ilegal e casos de risco. Entre elas está Baniwa, a mais jovem, apreendida no bairro Tarumã após ser anunciada por R$ 20 mil na internet.
O zoológico também acolhe dois irmãos resgatados em Tefé que se tornaram virais nas redes sociais após serem filmados brincando na água. Segundo especialistas, machos tendem a gostar mais de água do que as fêmeas — e o recinto possui um lago natural filtrado com ajuda da planta aquática salvinia.
Fonte: AM POST
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