Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
17/02/2025, segunda-feira
By Ana Pastana – From Cenarium
MANAUS (AM) – Dados informativos sobre registro de nascimento indígena, taxas de alfabetização, abastecimento de água e outros serviços sociais foram destacados em estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 19. Os dados fazem parte do Censo Demográfico 2022 sobre as principais características das pessoas e domicílios, considerando áreas urbanas e rurais da capital Manaus e interior do Amazonas.
Segundo o censo demográfico, o estado tem 94,1% das crianças indígenas de até 5 anos registradas com certidão de nascimento. Do total de 71.125 crianças, apenas 7,1% têm o Registro Administrativo de Nascimento de Indígena (RANI). Outros 5,5% não são registrados, e 0,3% declararam não saber ou não declarar. Nacionalmente, 94% das crianças indígenas têm registro de nascimento, sendo 89,1% registradas em cartório e 5% por meio do RANI. Os dados mostram que o estado do Amazonas tem indicadores iguais à média nacional e uma utilização do RANI acima da média.
O município de São Gabriel da Cachoeira registrou um total de 89,9% de crianças indígenas registradas, sendo 87,6% em cartório e 2,4% pela RANI. O município de São Paulo de Olivença registrou 96,8% de crianças indígenas, sendo 82,7% em cartório e 14,1% pela RANI. Em Tabatinga, um total de 96,4% de crianças foram registradas, sendo 91,7% em cartório e 4,7% pela RANI. Autazes registrou 97,7%, sendo 88,9% em cartório e 8,8% pela RANI.
Em Tefé, 96,3% das crianças foram registradas, sendo 95,8% em cartório. Segundo a pesquisa, os dados apontam para um avanço no registro de nascimento indígena. "Esses números refletem avanços no registro de nascimento, mas também destacam desafios em locais mais remotos, onde o uso da RANI é mais frequente", afirma o estudo.
Taxa de alfabetização
No Amazonas, a taxa geral de alfabetização para pessoas com 15 anos ou mais é de 93,1%. A taxa de alfabetização indígena no estado é de 85,94%, superior à média da Região Norte (84,73%) e à média nacional (84,95%).
Entre os três municípios do Amazonas com maiores populações indígenas, a capital Manaus registra a maior taxa de alfabetização, com 94,26%. O município de São Gabriel da Cachoeira registrou 89,97% de indígenas alfabetizados, enquanto Tabatinga registrou 86,12%.
Fornecimento de água
No Amazonas, 63,7% dos domicílios indígenas têm abastecimento de água por rede geral, poços, nascentes ou minas com encanamento interno. Na capital Manaus, 92% dos domicílios têm abastecimento de água adequado. São Gabriel da Cachoeira tem apenas 30,4%. Autazes tem uma taxa maior, com 57,6% dos domicílios indígenas tendo água encanada. Em Tabatinga, 45% dos domicílios têm acesso adequado ao abastecimento de água. Em Tefé, 80,5% dos domicílios são adequadamente abastecidos.
Chefes de família
Os dados indicam que entre as 146 Terras Indígenas (TIs) no Amazonas, cinco têm a maior proporção de homens como chefes de família. Por exemplo, na comunidade indígena Waimiri-Atroari, 99,1% dos domicílios (cerca de 325 a 328) são chefiados por homens. Na comunidade indígena Deni, 93,7% dos domicílios (cerca de 277 a 295) são chefiados por homens. A comunidade indígena Alto Rio Negro tem 89,5% dos domicílios chefiados por homens, totalizando 3.043 de 1.528 domicílios. Na comunidade Rio Biá, 95,7% dos domicílios (cerca de 156 a 163) são chefiados por homens. Enquanto isso, entre o povo Yanomami, aproximadamente 88% dos domicílios (1.344 de 1.528) são chefiados por homens.
Fonte: Revista Cenarium-Editado por John Britto-Traduzido do português por Gustô Alves
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