Ticuna We’e’ena resgata ancestralidade e combate apropriação cultural



Foto: divulgação (We’e’ena Tikuna apresentou desfile de moda no ano passado, em São Paulo)


15/09/2020, terça-feira


Plurais e engajadas, as grifes indígenas vão além da herança de seus antepassados, dialogando com o streetwear (na tradução, “estilo de roupas casuais’) em coleções desenhadas num contexto urbano e de marcado viés ativista.


Segundo O Globo, a estilista We’e’ena Tikuna, 32 anos, ativista dos direitos indígenas, nascida na aldeia Tikuna Umariaçu, no Alto Rio Solimões, encontrou na moda a forma de aumentar sua voz na luta contra o preconceito.


We’e’ena, cujo nome significa “a onça que nada para o outro lado do rio”, contou ao jornal que se não fosse a pandemia, neste momento, ela estaria cuidando dos últimos preparativos para apresentar uma coleção nas passarelas da moda em Milão.


“Passei o primeiro trimestre de 2020 na minha aldeia, no Amazonas, colhendo tururi, fibra da madeira que usamos para confeccionar nossas vestimentas. Mas irei mostrar as peças na edição virtual do Brasil Eco Fashion Week, em novembro. E, depois que tudo isso passar, pretendo ir à Europa divulgar meu trabalho”, conta a estilista.


Reconhecendo o mundo “fashion” também como espaço de lutas sociais, a designer de moda diz vê ativismo no que faz. “O que faço é resistência. Estamos no país há séculos, antes mesmo dos brancos, mas fomos deixados para trás. Não nos dão oportunidades. Não somos protagonistas da nossa própria história. Sempre fomos calados, e até tratados como animais. E não vamos mais aceitar isso.”


“A ancestralidade é minha maior referência. Sonho com todas as roupas e acessórios. Acredito que seja coisa da minha espiritualidade”, conta We’e’ena. “Somos grandes artesãos. Temos uma habilidade manual fora do comum, além de consciência ambiental. Extraímos da terra o que necessitamos, mas não destruímos a natureza. O conceito de sustentabilidade faz parte da gente”, destaca a estilista, que desde 2007 é dona de marca homônima, com algodão cru e grafismos.


Com informações do O Globo


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