Foto: Correio Pravda.ru (Relatório do ISA na ONU risco
elevado de genocídio de povos indígenas isolados)
13/03/2020, sexta-feira
Dados que foram
apresentados no dia (03/03) em audiência em Genebra apontam que desmatamento e
invasões dispararam no último ano em territórios da Amazônia habitados por
esses grupos, os mais vulneráveis a doenças e à perda da floresta
De Correio Pravda.ru
A explosão do desmatamento na Amazônia foi maior em
territórios com a presença de povos indígenas isolados. Dados do Instituto
Socioambiental (ISA) mostram que, em 2019, a derrubada da floresta nessas
terras cresceu 113%. No total de todas as Terras Indígenas (TIs), o aumento foi
de 80%. Os números constam em relatório do ISA que será apresentado nesta
terça-feira (3/3), na Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações
Unidas (ONU). O líder indígena Davi Kopenawa Yanomami participa da audiência em
Genebra, na Suíça. Baixe aqui o
relatório.
A sessão é promovida pelo ISA, Comissão Arns e Conectas
Direitos Humanos (veja abaixo) e tem o objetivo de denunciar a frágil situação
dos povos indígenas em isolamento no Brasil, e os crescentes riscos de
etnocídio (quando a cultura tradicional é destruída) e de genocídio destas
populações. O relatório detalha de maneira inédita o desmonte em curso das
políticas ambientais e indigenistas do atual governo. O evento terá transmissão
ao vivo pelo canal do ISA no Facebook a partir das 9h (horário de Brasília).
Os dados do desmatamento se baseiam no Prodes, do Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O levantamento aponta que seis Terras
Indígenas que possuem dez registros de povos indígenas isolados estão entre os
13 territórios que respondem por 90% do desmatamento registrado em 2019 nas TIs
localizadas na Amazônia brasileira.
O panorama para os povos indígenas isolados no Brasil,
portanto, é devastador. Com a explosão do desmatamento e da destruição das
florestas e o avanço de práticas ilícitas, como o garimpo, extração ilegal de
madeira e grilagem de terras, a existência desses grupos está gravemente
ameaçada.
Os povos indígenas isolados são populações que, para
sobreviver ao contato promovido pelo homem branco, refugiam-se no interior das
florestas e vivem em isolamento total ou sem contato significativo com a
sociedade nacional. Doenças, violência física, espoliação de recursos naturais
e outras agressões dizimaram populações inteiras no passado. Hoje, são 115
registros de grupos indígenas isolados no Brasil, 28 deles confirmados.
O relatório apresentado na ONU demonstra, ponto a ponto,
como o desmonte de políticas públicas e o discurso do presidente da República,
Jair Bolsonaro (sem partido), e de seus ministros, estimulam as invasões de
garimpeiros, madeireiros e grileiros ilegais nos territórios onde vivem esses
povos.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) sofre cortes de
orçamento, perseguição a servidores, deslegitimação dos dados de desmatamento e
desautorização de orçamentos. No Instituto Chico Mendes de Conservação e
Biodiversidade (ICMBio), a gestão de Unidades de Conservação perdeu 29% no seu
orçamento e a de fiscalização ambiental e combate a incêndios, 21%.
A Fundação Nacional do Índio (Funai ), no entanto, é o
órgão que apresenta a pior situação. As atividades estão praticamente
paralisadas com os cortes orçamentários e a alteração de quadros e
coordenações. A instituição sofre influência de alas religiosas e ruralistas,
como foi o caso da nomeação de um missionário para a Coordenação Geral dos
Povos Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) e que pode colocar em risco a polí
Saber mais sobre o assunto acesse o link http://port.pravda.ru/mundo/09-03-2020/50187-risco_povos-0/
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