02/08/2019, sexta-feira
Pai e filho de três anos foram mortos a tiros
em Tabatinga, no interior do Amazonas
De Em Tempo
Tabatinga - Um crime que chocou a cidade
de Tabatinga teve sua sentença definida, quase sete anos depois de ter sido
cometido. A Ação Penal, aberta pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) em
2013, resultou na condenação de José da Silva Lopes pelo assassinato de Josenei
Santos de Souza e o filho, Jhon Lucas de Souza, de apenas 3 anos. A sentença
foi proferida pelo Juiz Edson Rosas Neto, titular da 1ª Vara de Tabatinga, após
o conselho de sentença ter decidido por condenar o réu a 66 anos e 8 meses de
reclusão.
“O Conselho de sentença aceitou absolutamente
todas as teses do Ministério Público. Foi uma grande vitória para a comunidade
de Tabatinga, tendo em vista que essa família era inocente. Na verdade, pelo
que foi apurado, seria uma outra pessoa que deveria estar no lugar dele. E ele
não tinha relação nenhuma com o tráfico. Então era apenas um cidadão que estava
levando sua família para passear”, comentou o Promotor de Justiça André
Epifânio Martins, titular da 1ª Promotoria de Tabatinga e autor da Ação.
Na sua peça de acusação, o Promotor de
Justiça diz que, no dia 13.10.2012, por volta das 20h, na rua 1º de fevereiro,
s/n°, Vila Paraíso, próximo ao onçódromo, nesta cidade, o acusado desferiu
disparos de arma de fogo calibre 9mm (nove milímetros) contra as vítimas Jhon
Lucas de Souza, Josenei Santos de Souza, Jaderson de Souza Cevalho e Lígia
Santos de Souza, os quais foram a causa eficiente das mortes de Jhon Lucas de
Souza, de apenas 3 anos de idade, e do pai deste, Josenei Santos de Souza, não
se consumando o delito em relação a Lígia Assis de Souza e a Jaderson de Souza
Cevalho por circunstâncias alheias à vontade do acusado”. Tanto Lígia quanto
Jaderson sobreviveram ao atentado. Mas o réu também foi condenado por homicídio
tentado contra outras duas vítimas da mesma família.
As vítimas eram da mesma família. Josenei
Santos de Souza, 23, a mulher dele e os dois filhos do casal, de 3 e 8 anos,
foram atingidos. Josenei e o filho de 3 anos morreram na hora e, de acordo com
testemunhas, os autores dos disparos foram dois homens em uma motocicleta, que
usavam capacetes para dificultar o reconhecimento. Eles dispararam contra a
família, que chegava em casa no momento do atentado.
A prisão de José da Silva Lopes,
inicialmente suspeito pelo duplo homicídio, se deu no mesmo mês do atentado,
quando moradores de um bairro próximo denunciaram à polícia um morador, que
efetuava disparos de arma de fogo em via pública. José Lopes foi preso em
flagrante por porte ilegal de arma, uma calibre 9 mm, que levou os
investigadores a suspeitar de ser a mesma usada contra a família. O projétil
encontrado na cena do crime foi comparado com o da arma do suspeito e ficou
comprovado que os disparos contra a família de Josenei saíram da arma
encontrada com ele. José foi autuado pelos crimes de Duplo Homicídio (Art.
121/CPB) e também por Tentativa de Homicídio à mãe e ao filho mais velho, que
sobreviveram.
Na decisão, o magistrado citou que o réu
busca se esconder da Justiça em comunidade no Peru, e, por isso, decretou sua
prisão preventiva. Também foi determinado que sejam oficializados à POLINTER,
polícia federal, civil, militar, ao Consulado do Peru, bem como aos Comandos do
Exército, Marinha e Aeronáutica da fronteira e ao Ministério da Justiça do
Brasil notícia acerca do mandado de prisão pendente de cumprimento, a fim de
que o senhor José da Silva Lopes seja localizado e preso.
Na falta do defensor público, o Juiz
determinou como defensor dativo o advogado Maurílio Sérgio Ferreira da Costa
Filho.
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