Foto: José Rosha, do Cimi Norte I (Aldeia
Jarinal, na TI Vale do Javari)
De acordo com
lideranças, os garimpeiros estão entrando na aldeia, levando bebidas
alcóolicas, assediando mulheres e ameaçando os indígenas que reagem ao assédio
Por José Rocha, CIMI Regional Norte
Indígenas do povo Tsohom Djapa, da aldeia
Jarinal, na Terra indígena Vale do Javari, estão sendo ameaçados por
garimpeiros que se instalaram ao longo do rio Jutaí. As lideranças indígenas
locais contaram no trecho ao menos dez dragas, embarcações projetadas para
tirar areia ou lodo do fundo de cursos de água e aumentar portos.
A aldeia fica a cinco dias da sede do
município de Jutaí viajando de embarcação pequena. Ali vivem 150 indígenas
Kanamary e 42 do povo Tsohom Djapa, que é um povo de pouco contato com
não-indígenas. De acordo com lideranças, os garimpeiros estão entrando na
aldeia, levando bebidas alcóolicas e assediando as mulheres. Sob efeito do
álcool, passam a ameaçar os indígenas que reagem ao assédio feito às suas
esposas e filhas.
A informação foi divulgada inicialmente pelo
vereador Adelson Korá Kanamary (PT) que é também membro da Associação Kanamary
do Vale do Javari – Akavaja. O Coordenador da União dos Povos Indígenas do Vale
do Javari (Univaja), Paulo Dollis Barbosa da Silva, disse que já comunicou o
ocorrido à Coordenação Técnica Local da Fundação Nacional do Índio (Funai) e ao
Ministério Público Federal da cidade de Tabatinga (AM).
A coordenadora da Funai local, sediada em
Atalaia do Norte, disse que operações para retirada de garimpeiros costumam
envolver vários órgãos governamentais naquela região em virtude das
dificuldades de acesso aos locais onde os invasores se instalam.
Organizações indígenas têm denunciado
invasões à TI Vale do Javari com frequência. Pescadores, caçadores, traficantes
e garimpeiros vem causando conflito em várias localidades, afetando inclusive
povos de pouco ou nenhum contato com a sociedade envolvente. De acordo com a
coordenação da Frente de Proteção Etnoambiental do Vale do Javari ali existem
ao redor de 18 povos que se mantém sem contato com a sociedade não indígena.
Em setembro de 2017, o Ministério Público
Federal (MPF) do Amazonas chegou a confirmar a ocorrência de um massacre contra
índios isolados na terra indígena. Segundo o MPF, garimpeiros teriam assassinado
índios conhecidos como “flecheiros”, em agosto daquele ano, no rio Jandiatuba,
afluente do rio Solimões, no município de São Paulo de Olivença, na fronteira
com Peru e Colômbia.
A coordenação da Univaja diz que está
aguardando um posicionamento oficial da Funai e do MPF quanto às providências a
serem tomadas para resguardar o território e a integridade dos moradores da
aldeia Jarinal.
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