Infelizmente, esse período da nossa história é marcado por inúmeros massacres, e com a construção da BR-174 não foi diferente, pois a estrada passaria por terras indígenas cujas populações não foram consultadas, gerando grandes conflitos entre militares e os índios Waimiri-Atroari.
Geraldo José, do blog “História, Filosofia e Geopolítica”, faz a seguinte citação sobre esses conflitos:
"A abertura de estrada é um dos episódios mais abafados e sinistros da história das Forças Armadas brasileiras no período do regime militar. Encobertos pelo AI-5, os militares brasileiros cometeram um dos maiores genocídios da história mundial, muito pior que os armênios pelos turcos ou os judeus pelos nazistas. Em 1968, quando começou a revolta dos Waimiri-Atroari contra a abertura da BR-174, sua população era estimada em mais de 6.000 pessoas; em 1974, quando as forças armadas terminaram sua campanha, eles eram menos de 500. Dessa guerra restaram, pelo lado dos Waimiri-Atroari, as lendas dos grandes chefes guerreiros Maiká, Maroaga e Comprido (nomes dados pelos brancos; na verdade, seus nomes seriam, muito provavelmente, Sapata e Depini), todos mortos pelo Exército. O episódio mais infame dessa guerra, documentado por entrevistas gravadas pelo Padre Silvano Sabatini com índios Wai-Wai, Waimiri-Atroari e sertanistas, e relatado no livro Massacre (Edições Loyola, 1998), foi o bombardeio, pela Força Aérea Brasileira, de uma maloca em que os Waimiri-Atroari realizavam uma festa ritual."
Padre Calleri e o objetivo da expedição
Giovanni Calleri era um sacerdote italiano, missionário da Consolata. Nasceu em Carrù, Itália, no dia 15 de abril de 1934, chegou a Roraima no ano de 1965 e foi morto aos 34 anos, em 1968.
Existem, no mínimo, cinco versões mais aceitas sobre o real objetivo da expedição:
1ª versão: O Padre João Calleri foi encarregado pelos militares de afastar os Waimiri-Atroari da região da BR-174 de forma pacífica.
2ª versão: O padre teria sido encarregado pela Igreja Católica de atuar em uma missão de paz entre militares e indígenas, buscando uma solução pacífica para a construção da estrada.
3ª versão: Acredita-se que o padre foi enviado pelos militares para “amansar” os indígenas, para que, posteriormente, os militares invadissem e cometessem uma chacina — essa é a versão menos aceita.
4ª versão: O padre foi enviado aos Waimiri-Atroari por solicitação do presidente da FUNAI, Queiroz Campos, para promover a aproximação, o contato e o aldeamento dos indígenas.
5ª versão: A mais polêmica e também mais recente afirma que o padre foi colocado em uma armadilha; acredita-se que os militares o enviaram para morrer e, assim, se aproveitar da situação para atacar os Waimiri-Atroari.
Massacre da expedição
Não se sabe ao certo o real objetivo da expedição. O que se sabe é que o Padre Calleri foi, junto com outros oito companheiros — seis homens e duas mulheres — para dentro do território Waimiri-Atroari.
Assim como há diferentes versões sobre o objetivo da missão, a causa da morte dos expedicionários também possui pelo menos duas versões:
1ª versão: Acredita-se que o padre quis, a princípio, promover uma solução pacífica entre militares e indígenas. No entanto, devido à pressão para a construção da BR-174, ele teria se visto obrigado a mudar o rumo de sua atuação, conduzindo a expedição de forma imprudente e cometendo erros, como tentar impor sua personalidade, conhecida por ser forte.
Como a região vivia um momento de conflito e muitos indígenas já teriam morrido em confrontos com brancos, os Waimiri-Atroari teriam assassinado os nove integrantes da missão com golpes de terçado.
2ª versão: O Padre Calleri teria ido ao encontro dos Waimiri-Atroari acreditando estar em uma missão de paz; no entanto, tudo seria uma armadilha. Segundo o Padre Silvano, em seu livro Massacre, a expedição foi executada na manhã do dia 1º de novembro de 1968, em um ataque comandado por Paulo Mineiro (um dos membros da expedição), junto com outros brancos. Os expedicionários teriam sido propositalmente expostos ao perigo.
O que se sabe é que o massacre da expedição serviu como justificativa para atacar uma população que tinha mais de 3 mil pessoas e que foi reduzida para menos de 500, tendo como pano de fundo os projetos da mineradora e da hidrelétrica.
Os restos mortais da expedição foram encontrados pela Primeira Esquadrilha Aeroterrestre de Salvamento, e atualmente os restos mortais do Padre Calleri encontram-se sepultados na Igreja Matriz de Boa Vista.

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