Por Paulo Almeida da Silva (Professor de Geografia do Centro de Estudos Superiores da UEA em Tabatinga)
A Amazônia brasileira é portadora de um gigantismo em diversos aspectos. No aspecto geográfico esta região chama atenção pelo imenso território. Sua divisão em mesorregiões denota o esforço político em alcançá-la administrativamente. Estas divisões embora bem definidas no mapa, nem sempre se manifestam com a mesma clareza no atendimento às suas populações, fim para o qual, pensou-se em dividi-la.
Adaptado de www.mesoaltosolimoes.com.br.
A Mesorregião do Alto Solimões detém importância geopolítica, por ser área de fronteira, aqui no caso, com Peru e Colômbia. Nela estão inseridos nove municípios: Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Amaturá, Santo Antônio do Içá, Tonantins, Jutaí e Fonte Boa A população aproxima-se de 200 mil habitantes, em uma área de 214 mil km². Para aqueles que gostam de comparações, isto corresponde ao tamanho da área ocupada pelo estados de Sergipe, Alagoas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Paraíba e ainda caberia o Distrito Federal. Como em toda a região amazônica, a densidade demográfica desta mesorregião também é baixa: 0,93 hab./Km².
Percebe-se por estes números, que se fosse apenas esta mesorregião a área correspondente à Amazônia brasileira, já teríamos muitas dificuldades em protegê-la e mantê-la. Em outros momentos da história deste país, assistimos como foi difícil fazer isto, para garantir a soberania nacional de toda esta área de fronteira no norte do Brasil. Foi difícil e continua sendo, hoje acentuada pelos muitos interesses internos e externos voltados para esta área. Este é um outro aspecto do seu gigantismo:são muitas as suas reservas minerais, as cifras que pode proporcionar a sua biodiversidade são vantajosas, sem deixar de levar em conta sua imensa contribuição para o clima de todo o planeta. Na Messoregião do Alto Aolimões, acrescenta-se ainda a pluralidade etno-cultural dos povos indígenas que habitam nesta área, que dentro deste contexto, não deixam de ser um patrimônio nacional, além da convivência com mais dois tipos humanos: o peruano e o colombiano.
Cada um dos noves municípios que nela estão, são fortemente marcados pela presença do rio Solimões, que tem sido a principal via de acesso intermunicipal. Se já é importante como via de acesso, muito mais o será como fonte de alimentação, pois tem sido o peixe e a farinha, os alimentos que mais têm atendido a necessidade alimentar de grande parte das populações tradicionais. A importância da conexão nos remete a comunicação, e aí vejo a importância dos veículos de informação como este jornal.
Considero de extrema relevância a iniciativa de seus idealizadores, pois como disse anteriormente, o gigantismo desta região nos impressiona. E se ainda há quem queira somar esforços com àqueles que já o fazem para alcançar e manter esta mesorregião, são todos bem vindos !