Greve que interrompeu a produção nas fábricas e está causando caos nas principais vias, afetando a economia de Manaus, é apoiada por Givancir Oliveira, candidato a deputado estadual pelo Avante, mesmo partido do ex-prefeito
Manaus amanheceu um caos nesta quinta-feira (20/8). Enquanto é esperada a greve de até 70% da frota dos ônibus que circulam nos bairros, os motoristas que fazem o transporte especial de funcionários para as fábricas do Distrito Industrial também decidiram cruzar os braços. Filas quilométricas dos ônibus de transporte especial bloquearam o trânsito na Torquato Tapajós, Bola da Suframa, Cosme Ferreira, Autaz Mirim, Avenida das Torres, Bola da Samsung, entre outras vias.
A interrupção, que atinge não só empregados das empresas instaladas no Polo Industrial, mas a população que nada tem a ver com a situação, é endossada por Givancir Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Manaus, liderança sindical da categoria e candidato a deputado estadual pelo Avante, o mesmo partido do ex-prefeito de Manaus e candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida.
O movimento ocorreu após a categoria não aceitar a proposta de reajuste salarial de 3% apresentada nas negociações. Além do aumento nos vencimentos, os trabalhadores cobram alterações na carga horária, revisão dos benefícios relacionados à alimentação e melhorias nas condições oferecidas para o desempenho das funções.
A categoria é representada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Especiais de Manaus (Sindespecial), enquanto as empresas são representadas pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento do Estado do Amazonas (Sifetran).
*Duas greves no mesmo dia*
A paralisação cria mais um obstáculo para a mobilidade na capital, que já convive com problemas recorrentes no transporte coletivo. A situação se torna ainda mais delicada diante da possibilidade de uma nova redução expressiva da frota de ônibus urbanos que circulam nos bairros.
Givancir Oliveira afirmou que até 70% dos veículos do sistema convencional podem deixar de circular, nesta quinta-feira, caso os trabalhadores não recebam os salários.
Segundo o sindicalista, a suspensão poderia começar às 11h e envolver diferentes setores do transporte, incluindo motoristas, cobradores, mecânicos, lavadores e funcionários administrativos.
*Candidato e grevista?*
O episódio também ocorre em meio à movimentação eleitoral de Givancir, que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas pelo Avante, mesma legenda de David Almeida, ex-prefeito de Manaus e candidato ao Governo do Estado.
No meio dessa disputa entre trabalhadores, empresas e entidades sindicais está o usuário do transporte. Para os funcionários do Polo Industrial, a suspensão dos ônibus fretados pode provocar atrasos e dificuldades para cumprir a jornada. Já uma eventual redução de 70% dos coletivos urbanos tende a aumentar o tempo de espera e a concentração de passageiros nos pontos e terminais, além de afetar a economia da capital.
O cenário também coloca no centro do debate a atuação de lideranças sindicais que, ao mesmo tempo em que comandam categorias responsáveis pelo funcionamento do transporte, estão inseridas no ambiente político-eleitoral do Estado.
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