Capacitação realizada em São Paulo de Olivença (AM) promove práticas sustentáveis e manejo adequado de pragas e doenças da bananeira
Produtores do Alto Solimões recebem capacitação para aumentar produção de banana e gerar renda (Foto: Pixabay)
07/04/2026, terça-feira
Brasília (DF) – Com o objetivo de fortalecer a produção de banana na região do Alto Solimões, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) promoveu, no município de São Paulo de Olivença (AM), o curso “Manejo Integrado de Pragas e Doenças da Bananeira”, realizado pelo Centro MAPATI. A iniciativa é financiada por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED) realizado pelo MIDR para o Instituto Federal do Amazonas (IFAM Campus Tabatinga) e coordenado pela Secretaria Nacional de Desenvolvimento Regional e Territorial (SDR).
A capacitação, encerrada nesta sexta-feira (27), reuniu produtores, técnicos e interessados em aprimorar conhecimentos e práticas voltadas ao cultivo sustentável da bananeira. A ação busca impulsionar a agricultura local por meio da difusão de técnicas de controle de pragas, manejo adequado de doenças e aumento da produtividade, contribuindo para a melhoria da qualidade da produção e para a geração de renda dos agricultores da região.
Segundo coordenador-Geral de Gestão do Território (CGGT), Vitarque Coelho, iniciativas como essas são fundamentais para promover o desenvolvimento regional em regiões tão afastadas: “O território do Alto Solimões é estratégico para a política regional, seja por sua localização na tríplice fronteira Brasil/Colômbia/Peru, seja pelo seu potencial de geração de novos produtos e serviços por meio da bioeconomia amazônica. Nesse sentido, o trabalho conjunto entre o MIDR e o IFAM, para a implantação do Centro Mapati, contribui para a profissionalização de agentes multiplicadores que colaboram com a estruturação e o fortalecimento das cadeias produtivas da agrobiodiversidade do Alto Solimões" destacou.
Por meio de unidades de formação, do desenvolvimento de tecnologias de produtos e processos e da incubação de empresas e organizações sociais, a iniciativa atua com base na tríade Capacitação – Desenvolvimento de Produtos – Novos Negócios. Além da bioeconomia, também incentiva os segmentos de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e de economia circular, com foco na gestão de resíduos e em energias alternativas — áreas estratégicas para as regiões de fronteira.
Estratégias sustentáveis
Durante o curso, os participantes têm acesso a conteúdos teóricos e práticos que abordam estratégias sustentáveis para o manejo da cultura da banana e frutas da Amazônia, além de orientações voltadas à preservação ambiental e ao fortalecimento da agrobiodiversidade no Alto Solimões.
Segundo professor Moisés Alves Muniz, Coordenador do Laboratório de Agrobiodiversidade do IFAM, a iniciativa tem papel estratégico para o fortalecimento da agricultura local. “A realização de um curso sobre manejo integrado de pragas e doenças da bananeira em São Paulo de Olivença é fundamental, especialmente considerando a importância da cultura da banana para a segurança alimentar e a geração de renda, principalmente entre os pequenos produtores”, destacou.
O docente também ressaltou que a capacitação contribui diretamente para a melhoria da produção. “O curso permite que produtores e técnicos identifiquem corretamente pragas e doenças que afetam a bananeira, como a sigatoka negra e amarela, o mal-do-Panamá, o moko da banana e a broca-do-rizoma, possibilitando a adoção de medidas de controle mais eficientes e sustentáveis. Isso reduz perdas, melhora a qualidade dos frutos e aumenta a produtividade”, explicou.
Além disso, ele enfatizou a importância do manejo integrado. “A disseminação de práticas que combinam métodos culturais, biológicos e, quando necessário, químicos contribui para a redução dos impactos ambientais e dos custos de produção. Em uma região como o Alto Solimões, onde o acesso à assistência técnica é limitado, a formação local é fundamental para promover a autonomia dos agricultores”, acrescentou.
A iniciativa integra as ações voltadas ao fortalecimento do desenvolvimento regional e à integração produtiva no Alto Solimões, promovendo capacitação técnica, sustentabilidade e valorização da produção agrícola local.
BioRegio
A iniciativa BioRegio é apoiada pelo Programa Fronteira Integrada (PFI), cujo objetivo é promover o desenvolvimento econômico e social no território da faixa de fronteira por meio da cooperação entre os países vizinhos. “O BioRegio olha para o território a partir dos biomas, reunindo agentes de promoção e desenvolvimento, universidades, empresas e setores público e privado para estruturar novos produtos e processos focados na bioeconomia”, afirma o secretário, Daniel Fortunato. “No caso específico da Amazônia, trabalhamos com a faixa de fronteira, região prioritária da política regional, com o desenvolvimento de centros de bioeconomia e biotecnologia voltados à produção de fármacos fitoterápicos, nutracêuticos e dermocosméticos”, acrescentou.
A proposta do programa é criar oportunidades que resultem em atração de investimentos, crescimento econômico, inovação, redução das desigualdades, geração de trabalho e renda e melhoria da qualidade de vida da população brasileira e dos países transfronteiriços. Nesse sentido, também está em estruturação um ecossistema regional de inovação baseado na bioeconomia amazônica na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, em parceria com a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O desenvolvimento da bioeconomia no Território do Alto Solimões é uma entrega prevista em Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) celebrados entre o MIDR e o Consórcio Amazônia Legal (CAL), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI-PR).
Fonte: gov.br
