Foto: Adnilton Farias/VPR (Vice-Presidente Hamilton Mourão,
durante visita ao Centro de Instrucão de Guerra na Selva, na Amazônia.)
14/09/2020, segunda-feira
Marco Weissheimer/Sul 21
Mais da metade das coordenadorias
regionais da Fundação Nacional do Índio (Funai) estão sob
comando de militares, da ativa e da reserva, incluindo aí oficiais do Exército,
fuzileiros navais e paraquedistas. No início deste ano, de um total de 37
superintendências regionais, 19 estavam sob comando de militares, aparecendo
nesta lista também um integrante da Polícia Federal, em Santa Catarina, e um
empresário, em Rondônia. Essa lista pode aumentar nos próximos meses, pois 11
dessas superintendências regionais estavam, até o início deste mês, sem um
coordenador regional titular.
A militarização da política indigenista no Brasil já havia
sido prenunciada por Jair Bolsonaro desde a campanha eleitoral. O primeiro
presidente da Funai indicado por Bolsonaro foi o general da reserva do Exército
Franklimberg Ribeiro de Freitas, que acabou durando pouco no cargo. Ele deixou
o cargo em meados de junho de 2019 após bater de frente com integrantes da
bancada ruralista. Em seu lugar assumiu o delegado da Polícia Federal,
Marcelo Augusto Xavier da Silva, considerado bem mais afinado com os interesses
do setor ruralista. Ao longo dos primeiros meses do governo Bolsonaro, os
militares foram progressivamente ocupando cargos em vários escalões do governo,
processo este que segue em curso. Um levantamento realizado pelo Tribunal de
Contas da União (TCU), em julho deste ano, apontou a presença de 6.157
militares da ativa e da reserva ocupando cargos no governo Bolsonaro.
Confira a relação de Coordenadorias Regionais da Funai sob
comando militar (além de um policial federal e de um empresário):
Alto Purus – Rio Branco (AC) – José Ciro
Monteiro Júnior (Fuzileiro Naval)
Juruá – Cruzeiro do Sul (AC) – Marco Antonio
Gimenez (Capitão do Exército)
Alto Solimões – Tabatinga (AM) – Jorge Gerson
Baruf (Fuzileiro Naval da reserva)
Madeira – Humaitá (AM) – Cláudio José Ferreira
(Tenente do Exército)
Manaus – Manaus (AM) – Francisco de Souza
Castro (Tenente Coronel)
Médio Purus – Lábrea (AM) – Cássio de Oliveira
Pantoja (Tenente do Exército)
Rio Negro – São Gabriel da Cachoeira (AM) –
Auri Santo Antunes de Oliveira (Tenente do Exército)
Baixo São Francisco – Paulo Afonso (BA) –
Nailton Alves da Gama (Capitão do Exército)
Maranhão – Imperatriz (MA) – Mozeni Ferreira da
Cruz (Exército)
Campo Grande – Campo Grande (MS) – José
Magalhães Filho (Capitão reformado)
Noroeste do Mato Grosso – Juína (MT) – Euclides
Marques dos Santos Filho (Capitão do Exército)
Ribeirão Cascalheira – Ribeirão Cascalheira
(MT) – Jucielson Gonçalves Silva (Fuzileiro Naval)
Xingu – Canarana (MT) – Adalberto Rodrigues
Raposo (Fuzileiro Naval)
Baixo Tocantins – Marabá (PA) – Marcelo Mello
de Menezes (Tenente do Exército)
Kayapó Sul do Pará – Tucumã (PA) – Raimundo
Pereira dos Santos Neto (Paraquedista)
Guarapuava – Guarapuava (PR) – José Luiz Tusi
Perazzolo (Capitão reformado)
Guajará Mirim (RO) – Euro Ferreira Guedes
(empresário)
Passo Fundo – Passo Fundo (RS) – Aécio Galiza
Magalhães (Coronel da reserva do Exército) (*)
Litoral Sul – São José (SC) – Eduardo Remus
Cidreira (Polícia Federal)
Araguaia – Palmas (TO) – Osmar Gomes de Lima
(Oficial do Exército)
(*) Exonerado
no início de agosto. A Coordenação Regional de Passo Fundo é uma das que está
sem coordenador titular.
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