Foto: Reprodução (Linhagens A2, B1 e B1.1
do vírus foram encontradas no Amazonas)
16/07/2020, quinta-feira
Descoberta foi possível
graças aos sequenciamentos de DNA e análises realizados pela fundação em
amostras de pacientes infectados nos estados do Amazonas e de Rondônia
De acordo com a Fiocruz, três linhagens diferentes do novo coronavírus
circulam ou circularam na Amazônia desde a chegada do vírus no país. A
descoberta foi possível graças aos sequenciamentos de DNA e análises realizados
pela fundação em amostras de pacientes infectados nos estados do Amazonas e de
Rondônia.
No Amazonas, foram examinados 37 genomas da capital, Manaus,
e do interior do estado. Lá, foram encontrados os tipos A2, B1 e B1.1 do vírus.
Já em Rondônia foram oito genomas estudados, que mostraram dois tipos B1 e B1.1
similares aos achados no Amazonas.
Uma das hipóteses levantadas para isso ter ocorrido é que
o vírus tenha chegado primeiro no Amazonas, por conta da
maior movimentação de turistas, e seguido de lá para outros estados da região.
O sequenciamento revelou que dois tipos de vírus diferentes
chegaram a cidades pequenas do estado, como Manaquiri, com 33 mil habitantes.
Até agora, não se sabe se algum tipo é mais grave que outro.
Importação da Europa
A análise dos genomas indica ainda que a Covid-19 deve ter
sido "importada" de países da Europa, mas de locais diferentes.
Segundo o pesquisador da Fiocruz Amazônia e coordenador do
estudo no Amazonas, Felipe Naveca, os vírus B1 e B1.1 têm maior circulação no
Reino Unido, Estados Unidos e Austrália. O tipo A2, por sua vez, circulou
basicamente na Espanha, Reino Unido e Austrália.
"Todos os tipos tiveram origem na Ásia como ancestral.
Na verdade, mesmo sendo uma linhagem europeia, é possível que tenha vindo de
outros locais. Nós estamos conduzindo essas análises mais refinadas agora no
sentido de inferir a origem mais precisamente", afirmou o pesquisador.
Coronavírus em Rondônia
No caso de Rondônia, foram achados dois tipos diferentes do
coronavírus no estado - B1 e B1.1. Segundo Deusilene Vieira, pesquisadora em
virologia molecular da Fiocruz Rondônia e coordenadora do estudo, todas
pertencem ao grupo com uma assinatura genética relacionada às cepas que
circularam nos epicentros na Europa e que se espalharam rapidamente por muitos
lugares do mundo.
Uma das cepas virais encontradas tem descendência e
ancestralidade que foi isolada em Zurique, na Suíça; e outra, em Portugal.
"Isso não significa necessariamente que houve transmissão direta do
epicentro na Europa para o estado. É possível que o vírus tenha passado em
outras localidades no decorrer do tempo até chegar neste ponto", pontuou.
Mutação D614G
Ao longo do genoma, também foram encontradas 22 mutações em relação ao primeiro vírus sequenciado na
China. Destas, merece atenção a chamada de D614G, identificada em todas as
amostras analisadas.
A mutação em questão pode estar associada com a alta
propagação do vírus, principalmente em locais da Europa onde houve mais surtos
se comparados a Wuhan, cidade chinesa com mais casos.
A pesquisa ainda está avaliando amostras de outros municípios
com casos confirmados de Covid-19. A partir das respostas obtidas, será possível
descobrir como o vírus foi introduzido na região, além de contribuir para
formar ações de vigilância molecular de combate ao vírus e o controle da doença
por meio da história evolutiva viral.
Os próximos passos do estudo da Fiocruz incluem saber não só
a origem exata de cada linhagem do coronavírus, mas a data de chegada à região.
Somado a este estudo, a Fiocruz do Amazonas e a mineradora Vale, por meio do
Instituto Tecnológico Vale (ITV) de Belém (PA), se uniram para desenvolver o
chamado Projeto Genoma Covid-19. O objetivo é fazer o sequenciamento de
milhares de amostras do Sars-Cov-2 para entender melhor o comportamento desse
vírus no Brasil.
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