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Arquivo Cimi Regional Norte I (AM/RR)/ A Univaja divulgou um documento onde
apelam a organizações nacionais e internacionais para que apoiem os esforços
para evitar a proliferação da infecção nas aldeias.
19/06/2020,
sexta-feira
A
Univaja apela a organizações nacionais e internacionais para que apoiem os
esforços para evitar a proliferação da infecção nas aldeias
POR
J.ROSHA, DA ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO – CIMI NORTE I (AM/RR)
Com
três casos confirmados de infecção por covid-19 entre os Kanamari na aldeia São
Luiz, os povos indígenas vivem um momento de tensão no Vale do Javari. Antes da
confirmação pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), no último dia (06/06), servidores da saúde tiveram que ser removidos do local por testarem positivo
para covid-19.
Dois
dias antes, o Ministério da Saúde e Sesai divulgaram que “quatro profissionais
de saúde não indígenas do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Vale do
Javari, sendo um enfermeiro, dois técnicos de enfermagem e um Agente de Combate
a Endemias, que atuam no Polo Base Médio Javari, na região Atalaia do Norte
(AM), testaram positivo para o novo coronavírus, no dia 3 de junho”.
De
acordo com a comunicação da Sesai, os profissionais “adentraram em área
indígena no dia 29 de abril, exceto o Agente de Combate a Endemias, que
adentrou em área no dia 22 de maio, para a prestação de assistência à saúde,
após passagem por rigoroso cumprimento de quarentena, conforme estabelecida no
Plano de Contingência do Distrito Sanitário Especial Indígena Vale Do Javari
para Infecção Humana pelo Novo Coronavírus.
Em
vista do perigo de crescimento exponencial da doença, a exemplo do que
aconteceu no Alto Solimões, a partir da segunda metade de março, o Ministério
Público Federal (MPF) em Tabatinga (AM) emitiu a Recomendação n°
05/2020/PRM/TABATINGA, determinando a adoção de algumas medidas para assegurar
aos indígenas o isolamento em suas aldeias de forma que não comprometa sua
segurança alimentar, atenção básica, remoções em caso de necessidade e
atendimento diferenciado, conforme preceituado pela Constituição Federal,
Convenção 169 da OIT e outros documentos editados pelos órgãos de assistência
aos povos indígenas.
No
último dia 7, a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) divulgou
um documento onde apela a organizações nacionais e internacionais para que
apoiem os esforços para evitar a proliferação da infecção nas aldeias. “As
lideranças nos comunicaram que mais 15 pessoas e cinco famílias na aldeia
apresentam sintomatologia relacionada ao vírus”, informa a coordenação da
Univaja.
A
coordenação da Univaja diz ainda que na aldeia São Luiz moram, aproximadamente,
244 indígenas e os teste disponíveis são de apenas 60, sendo que estes serão
divididos com aldeias de outras localidades onde existe a suspeita de indígenas
contaminados.
Conforme
a coordenação da Univaja lideranças nas aldeias relataram que “parte da
equipe de saúde visitou outras as aldeias da abrangência do Pólo Base Médio
Javari, como o caso das aldeias Pedro Lopes e Nuntewa (povo Kulina Pano), Fruta
Pão, Flores e Lago Grande (todas do povo Matses)”. Eles temem a proliferação do
contágio em todas as dez aldeias da região do médio Javari e médio
Curuçá, onde maioria das lideranças teriam alertado a existência de moradores
apresentando sintomas de febre, dor de cabeça, dor no corpo, vômitos e falta de
ar.
Ameaças
No
início de março, lideranças indígenas do Vale do Javari denunciaram a possível
incursão de missionários estrangeiros e alertaram para o risco de contaminação
das aldeias, especialmente dos povos sem contato. Uma ação do MPF, em atenção
ao pedido dos indígenas, levou a Justiça Federal a emitir decisão favorável à
Unijava contra a entrada ou a permanência de missionários fundamentalistas da
Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB) em suas terras indígenas. A Univaja
denunciou também a entrada de invasores, inclusive de garimpeiros na região do
rio Jutaí e no médio Curuçá, duas localidades onde foram encontrados vestígios
da presença de povos em situação de isolamento voluntário.
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