Foto: G1
As fronteiras têm sido
estudadas a partir de diferentes abordagens, por exemplo, a recente análise a
partir da fluidez territorial, considerando-se a intensificação dos fluxos
fronteiriços consequentes da atual conjuntura globalizante. O objetivo da pesquisa
foi compreender a dinâmica territorial do subespaço das cidades gêmeas
Tabatinga (Brasil) e Leticia (Colômbia) a partir da análise da infraestruturas
que viabilizam os fluxos fronteiriços e seus reflexos no desenvolvimento
econômico e social da região. O exame das infraestruturas (fixos) e do sistema
de fluxos estabelecidos na escala local e extralocal permitiu verificar a
evolução da fluidez territorial e sua contribuição para o desenvolvimento
regional e aproximação das comunidades vizinhas.
De Confins
Ultrapassou
52 mil habitantes em 2010 (IBGE2, 2010) e Leticia, cidade vizinha
colombiana alcançou 40 mil habitantes (DANE3, 2011). Juntas, estas duas cidades
gêmeas fronteiriças, situadas no interior da floresta amazônica, ultrapassaram
90 mil habitantes no início desse século XXI. Um aporte populacional de 196% em
trinta anos, enquanto outras localidades, num raio de até 500 km, veem suas
populações encolherem.
As
cidades gêmeas Tabatinga e Leticia formam um subespaço urbano conurbado
(NOGUEIRA, 2004), situado à margem esquerda do rio Solimões/Amazonas, na
tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru, interior da floresta Amazônica. Sem
acesso rodoviário, localizam-se, em torno de 1.000 km, distantes de seus
respectivos centros regionais mais próximos: Manaus e Bogotá (figuras 1a e 1b).
Por forças geopolíticas, Tabatinga tornou-se colônia militar em 1967 enquanto
Leticia já era município autônomo desde 1963. A primeira foi emancipada de
Benjamin Constant em 1983 e, a segunda, elevada à capital de Departamento em
1991. Cidades diferentes no que se refere à formação socioespacial (VARGAS,
1999), porém similares quanto ao processo de ocupação e significação econômica
do território baseado na exploração da borracha (OLIVEIRA, 1998; MENEZES,
2009), caucho (DOMINGUEZ, 1985), mas, sobretudo, quanto às
suas relações sócio-históricas de nascença indígena anteriores ao
estabelecimento dos próprios limites internacionais.
Nos
dias de hoje, torna-se um desafio entender as novas formas de articulação dos
subespaços amazônicos com o mundo globalizado. Uma possibilidade é sua análise
a partir da fluidez territorial, entendida como a “[...] qualidade dos
territórios nacionais que permite uma aceleração cada vez maior dos fluxos que
o estruturam, [..][do] conjunto de objetos concebidos [...] para garantir
[...][o] movimento” (ARROYO, 2001), e da densidade informacional que define o
grau de exterioridade do lugar e sua propensão a estabelecer relações com
outros lugares (SANTOS, [1996], 2009).
Importa-nos
assim saber: como estes lugares vêm se inserindo no meio
técnico-científico-informacional? Como os Estados Nacionais vêm provendo estas
cidades amazônicas dos fixos4 necessários à maior fluidez
requerida pelos mercados e sociedades locais?
Considerando
que estes trazem a reboque uma psicosfera particular muito diferente da
existente, tradicional, cabocla e/ou indígena. Enfim significam uma ação
modernizante que traz a reboque naturais crises de transição e suas consequentes
repercussões sociais e espaciais. Nesse sentido, o presente artigo traz à luz
um inventário dos fixos que dão suporte à fluidez territorial do subespaço
Tabatinga-Leticia, viabilizando fluxos na escala local e extralocal.
A
pesquisa ancorou-se teórica e metodologicamente nos conceitos: formação
socioespacial (SANTOS, [1979], 2008a); fluidez territorial (SANTOS, [1994],
2008c; [1996], 2009; ARROYO, 2001); faixa de fronteira e cidades gêmeas
(MACHADO, 2005; OLIVEIRA, 2005; STEIMAN, 2002); geopolítica (ANDRADE, [2001],
2007; COSTA, [1988], 1997; RAFFESTIN, [1980], 1993) e Amazônia (BECKER, 1994;
[2004], 2009).
Leia mais no link https://journals.openedition.org/confins/9659?lang=pt
Seja o primeiro a comentar
