#Folclore - Mito Ticuna da Criação do Mundo

O CORAÇÃO DA SAMAUMEIRA

Depois de passado um tempo da derrubada da samaumeira, Ipi foi ate lá para ver se a árvore já tinha apodrecido. Mas ela continuava viva, o pau começou a brotar de novo. O que tem essa arvore que não quer morrer?, pensou Ipi. Foi ver de perto e escutou um barulho: tu, tu, tu. Aí disse para Yoi: Essa árvore tem coração, está viva. O que podemos fazer? E continuou: Eu mesmo vou tirar esse coração com o machado. Ipi começou a cavar. Yoi logo tomou seu machado e quis também cortar. Ipi, como sempre, queria ser o primeiro, ser dono de tudo, e quis pegar de novo o machado. E assim os dois ficaram disputando todo o tempo. Por fim, Yoi conseguiu cortar com força e o coração pulou. Ipi disse: Maninho, eu mesmo vou pegar.

Porém, um calango estava perto, cuidando, e acabou comendo o coração. Mas não conseguiu engolir e o coração ficou parado em sua garganta. Vendo isso, Ipi preparou um tição de fogo e botou na garganta do calango. Ele gritou e o coração pulou para fora. Então uma grande borboleta azul engoliu o coração. E Ipi com aquele mesmo fogo queimou a asa da borboleta e ela vomitou tudo. Por isso, a borboleta azul tem manchas na asa. Depois, o coração entrou num buraco de pedra muito pequeno. Daí era difícil de tirar. Yoi, então, chamou a cotia e falou: Vá lá e roa o coração pelo lado direito. Depois traga o caroço e plante lá no nosso terreiro. Esse coração era como uma semente. A cotia fez o que Yoi pediu. Ipi não sabia onde a cotia tinha plantado o caroço do coração. Começou a varrer o terreiro, procurando o lugar onde ele estava enterrado. Varreu durante dias e dias. Ele sabia que essa planta iria servir para alguma coisa. Passado um tempo, começou a nascer uma árvore de umari.

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