O CORAÇÃO DA SAMAUMEIRA
Depois de passado um tempo da derrubada da
samaumeira, Ipi foi ate lá para ver se a árvore já tinha apodrecido. Mas ela
continuava viva, o pau começou a brotar de novo. O que tem essa arvore que não quer morrer?, pensou Ipi. Foi ver de
perto e escutou um barulho: tu, tu, tu.
Aí disse para Yoi: Essa árvore tem
coração, está viva. O que podemos fazer? E continuou: Eu mesmo vou tirar esse coração com o machado. Ipi começou a cavar.
Yoi logo tomou seu machado e quis também cortar. Ipi, como sempre, queria ser o
primeiro, ser dono de tudo, e quis pegar de novo o machado. E assim os dois
ficaram disputando todo o tempo. Por fim, Yoi conseguiu cortar com força e o
coração pulou. Ipi disse: Maninho, eu
mesmo vou pegar.
Porém,
um calango estava perto, cuidando, e acabou comendo o coração. Mas não
conseguiu engolir e o coração ficou parado em sua garganta. Vendo isso, Ipi
preparou um tição de fogo e botou na garganta do calango. Ele gritou e o
coração pulou para fora. Então uma grande borboleta azul engoliu o coração. E
Ipi com aquele mesmo fogo queimou a asa da borboleta e ela vomitou tudo. Por
isso, a borboleta azul tem manchas na asa. Depois, o coração entrou num buraco
de pedra muito pequeno. Daí era difícil de tirar. Yoi, então, chamou a cotia e
falou: Vá lá e roa o coração pelo lado
direito. Depois traga o caroço e plante lá no nosso terreiro. Esse coração
era como uma semente. A cotia fez o que Yoi pediu. Ipi não sabia onde a cotia
tinha plantado o caroço do
coração. Começou a varrer o terreiro, procurando o lugar onde ele estava
enterrado. Varreu durante dias e dias. Ele sabia que essa planta iria servir
para alguma coisa. Passado um tempo, começou a nascer uma árvore de umari.
